quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Primeiras leituras de 2016


Não sou o tipo de pessoa que costuma estabelecer metas de leitura, mas tenho a minha lista de livros (cada vez maior) e procuro segui-la. Para começar 2016 mais organizada, defini as minhas sete primeiras leituras, as quais pretendo que sejam feitas ainda em janeiro. Espero que o ano que inicia traga muitas conquistas e, claro, muitas leituras a todos nós. Feliz 2016! 


Origem - Um segredo que pode ser a nossa destruição, de J.T. Brannan
A pesquisadora científica Evelyn Edwards e sua equipe descobrem um corpo de 40 mil anos enterrado sob a calota polar da Antártida. Mas, quando começam a extrair o corpo do gelo, o sonho se transforma em um horrível pesadelo, quando todos são marcados para a morte por alguém que quer manter enterrado esse segredo. Evelyn mal consegue escapar com vida. Ela pede ajuda a seu ex-marido Matt Adams, antigo membro de uma unidade de elite do governo. Logo eles se veem envolvidos em uma corrida alucinante contra o tempo, que os leva ao Grande Colisor de Hádrons, em Genebra, enquanto tentam desvendar a maior conspiração de todos os tempos, antes que seja tarde demais para a espécie humana. Se a humanidade achava que conhecia suas origens, chegou a hora de repensar tudo, por que todas as crenças estão a ponto de ser questionadas.

Hibisco Roxo, de Chimamanda Adichie
Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

Intérprete de males, de Jhumpa Lahiri
Vencedora do Prêmio Pulitzer de melhor ficção, a coleção de contos de estreia de Jhumpa Lahiri marcou, em 2000, sua entrada no mundo da literatura. Além disso, Intérprete de males também faz parte de uma primeira leva de certo tipo de literatura que tem ganhado cada vez mais espaço nas livrarias de todo mundo e cujos olhos estão voltados para a vivência entre duas culturas distintas, e para as relações determinadas por este processo: o exílio, a saudade, o desarraigamento, a inadequação, a esperança, a adaptação. A autora, uma das vozes mais importantes da literatura em língua inglesa, é convidada da Flip em 2014.
Nos nove contos que compõem o livro, o leitor verá sempre certo incômodo, certa maneira de estar num lugar de um modo desconfortável, uma espera sem nome e sobressaltos do entendimento desse processo. (...)

Sua voz dentro de mim, de Emma Forrest
Aos 22 anos, a jornalista, escritora e roteirista Emma Forrest havia trocado Londres por Nova York. Por trás do aparente sucesso, havia uma jovem autodestrutiva. Reunindo as memórias de Emma desde a infância, passando pelo complicado relacionamento com o ator Colin Farrell, que a levou finalmente a buscar ajuda, até as sessões com o discreto Dr. R - psiquiatra que a salvou e que morreu de câncer em meio ao tratamento de Emma -, Sua voz dentro de mim é um relato sincero e corajoso. O livro recebeu críticas positivas e a história chegará aos cinemas com Emma Watson e Stanley Tucci.


Os olhos do condenado, de Fernando Bins
Quando Felipe Teixeira – o jovem de olhar descontraído, apaixonado por poesia, blues e vinho tinto – é preso por um crime o qual não é culpado, ele é somente uma vítima? E quando ele rebate ao sistema opressor da penitenciária e se torna igualmente perverso em um plano de vingança, ele é simplesmente culpado? O que fazer, então, quanto tudo que lhe resta é uma cela, contendo apenas um beliche com colchões surrados, uma pequena fissura na parede coberta por grades e que insistem em chamar de janela, e a ruptura total com sua identidade e com os ideais os quais carregou por toda a vida até que os muros da penitenciária lhe limitassem o mundo? Em “Os olhos do condenado” o escritor Fernando Bins nos arrasta junto com nosso protagonista até as mais perversas e naturais faces de um homem a um novo modelo de sociedade e aos mais assombrosos fantasmas que a humanidade poderia apresentar.

A 5ª Onda , de Ricky Yancey
A Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas.
Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos.
Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz) precisa proteger seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.

Cordilheira, de Daniel Galera
Recém-saída de um relacionamento amoroso e ainda sob o impacto do suicídio de uma amiga, uma escritora resolve aproveitar o lançamento da tradução argentina de seu romance para passar uma temporada em Buenos Aires. 
Primeiro título da coleção Amores Expressos, em que autores brasileiros escrevem histórias de amor ambientadas em diversas cidades do mundo, 'Cordilheira' gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver com seus amigos de hábitos bizarros, a protagonista começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é. Diferentemente dos romances anteriores de Daniel Galera, a perspectiva não é a do universo masculino, e sim a de uma narradora sem receio de encarar os próprios abismos emocionais.
'Tive vontade de desenvolver uma protagonista mulher', explica o autor, 'porque as mulheres modernas me parecem bem mais interessantes e complexas do que os homens. A decisão de narrar o livro em primeira pessoa só veio mais tarde, depois da viagem a Buenos Aires, quando comecei a escrevê-lo.'
Além de uma história de perdas, encontros e desencontros, 'Cordilheira' também é uma reflexão sobre vida e arte, seus limites nem sempre definidos e a maneira como essa sobreposição, em meio aos sonhos e impasses de quem cedo ou tarde precisará enfrentar a realidade, pode acabar mudando os destinos individuais.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal na Barca, de Lygia Fagundes Telles: um conto de renascimento


Natal na Barca está entre os meus contos preferidos por retratar metaforicamente o que o Natal representa: renovação. O conto mostra uma protagonista descrente, triste e completamente sem esperanças em relação à vida, e após uma experiência marcante e inacreditável, algo se transformará dentro dela. 

A história se passa em uma barca que faz a travessia de um rio na noite de Natal. Faziam a viagem, além da narradora, um bêbado e uma mulher com um manto escuro cobrindo-lhe a cabeça e carregando uma criança no colo. Depois de algum tempo estabeleceu-se um diálogo entre as duas mulheres e a narradora soube que a outra perdera um filho e que fora abandonada pelo marido. A mulher contou-lhe também que estava naquela barca porque precisa levar seu bebê ao médico, pois a criança estava doente. A simplicidade e a fé da mulher do manto chamaram a atenção da narradora, que demonstrava ser uma pessoa descrente. Em um determinado momento a narradora levanta o xale que cobre o menino e constata que ele está morto, mas não diz nada à sua mãe. Ao terminar a viagem ela só pensa em descer da barca e ir embora para fugir daquela situação. Porém, algo surpreendente acontece, algo que mudará para sempre a vida dessa mulher tão descrente. 

A mulher do manto e o bêbado são personagens secundários. Em um sentido psicológico estas personagens têm bastante importância, pois o bêbado representa um aspecto negativo do lado masculino da narradora, do seu animus e a mãe da criança representa sua sombra, aspectos de sua psique com os quais ela tinha perdido contato e que se mantinham no seu inconsciente. A criança também tem sua importância, pois representa o seu lado criativo esquecido, deixado de lado por possíveis decepções que podem ser representadas pela morte do primeiro menino, o mágico, que morreu justamente quando tentava "voar", ou seja, realizar seus sonhos. A narradora deixara de ver o lado mágico da vida. 

O tempo não é determinado no conto, tudo o que sabemos é que a história se passa na noite de Natal na travessia de um rio. Não sabemos, porém, quanto tempo levou essa travessia. Poderia ter sido meia hora ou a noite inteira. O conto Natal na Barca é um exemplo de narrativa em que o espaço é fundamental, pois é determinante para que possamos compreender o seu significado. A barca, na mitologia, representa a passagem do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. E nesse conto possui um significado parecido, pois representa, para a protagonista, uma morte e um renascimento simbólicos. A passagem de um estado de profunda desesperança a outro em que começa a acreditar no futuro, em que suas esperanças renascem. 

Outro elemento importante do espaço é a vestimenta da mulher do manto, simples e despojada, porém, revestida de dignidade, simbolizando o que a narradora possui de melhor e mais puro em seu interior. O manto da mãe da criança remete-nos à ideia de agasalho e aconchego, coisas que a narradora parecia precisar. Há uma ligação entre as duas mulheres, pois a morte seguida de renascimento que a protagonista vive simbolicamente no conto, a mulher do manto já viveu com a morte de seu filho mais velho, até que, depois de uma noite escura, reencontra o menino em sonho e sente-se nova, com o sol batendo em seu rosto. É um conto belíssimo para quem acredita na regeneração de uma alma sofrida, na esperança e no futuro. E para quem acredita, sobretudo, em um final feliz.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Um conto de Natal, de Charles Dickens - Editora L&PM

Em uma noite de Natal, no frio londrino, todos se preparam, com euforia, para comemorar o nascimento do menino Jesus. Todos felizes aguardando a troca de presentes e a alegria do convívio com a família. Menos o velho Scrooge, que lamenta profundamente porque, além de não se comover com o espírito natalino, terá que conceder uma folga ao seu secretário. Scrooge é um homem rabugento, mesquinho e avaro, que não sente prazer algum em doar algo de si ao próximo. 

Todavia, o que ele mal sabe é que sua vida e sua visão de mundo estão prestes a mudar, pois o velho ranzinza receberá, na noite de Natal, a visita de Marley, fantasma de seu falecido sócio, que, completamente arrependido de ter desperdiçado sua vida atrás de dinheiro, o guiará por uma viagem surreal ao passado e ao futuro, para retornar ao presente completamente transformado.

O livro é simplesmente tocante, e está entre os melhores textos literários (se não é o melhor) que abordam o Natal como tema. A obra foi escrita em 1843, e faz sucesso desde então, tendo recebido durante esse tempo, inúmeras adaptações de todo tipo: cinema, teatro, HQs, animações, etc. Recomendo a leitura a todos que apreciem uma obra que, além de escrita lindamente, possui uma mensagem edificante.


Para comprar: Saraiva | Cultura | Submarino

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Eis o Natal: crônica




Reza a tradição, que o Natal é tempo de amor fraterno e solidariedade. No entanto, os Natais dos últimos anos não têm sido mais os mesmos. Não sei se foram eles que mudaram ou eu, mas lembro-me de um tempo em que, embora ainda não se tivesse o hábito de enfeitar as fachadas das casas, as noites de dezembro, quando se esperava ansiosamente por Papai Noel, eram bem mais luminosas e mágicas do que hoje em dia. Nessa época, não havia crises econômicas, preconceitos étnicos, intransigências políticas e religiosas, crianças abandonadas e outras coisas igualmente tristes. Não existia descaso e indiferença às dores alheias. Um tempo em que se doar era algo natural. Ao menos, eu, na minha gentil infância, assim enxergava.

Recordo-me bem do ano em que esta visão de mundo foi posta em xeque, quando passei a, não só perceber as desigualdades com a cabeça, mas a senti-las com o coração, quando distingui o real sentido da palavra solidariedade. Foi o primeiro Natal que minha família e eu passamos depois da morte de meu pai. Descobrimos um grupo de voluntários anônimos que se reuniam para levar um pouco de conforto aos moradores das rua. Passamos os dias 23 e 24 inteiros organizando pratos com guloseimas para serem distribuídos na noite de Natal. Dividimos a cidade de Porto Alegre em regiões. Separamo-nos em grupos e saímos para distribuir os pratinhos já prontos. O meu grupo ficou com uma região no centro da cidade que inseria a Praça da Matriz. Fui, cheia de sonhos juvenis, viver aquela que seria uma das experiências mais marcantes da minha vida. Era uma dessas noites em que, embora sendo entrada de verão, por um capricho da natureza, são muito frias. Tomamos o cuidado de levar muito chocolate quente em várias garrafas térmicas. Entrei em contato com um mundo que desconhecia completamente. Homens e mulheres que rolam pelas ruas, não só nas noites de natal, mas em todas as outras de suas vidas.

Em frente à Igreja da Matriz, havia dois mendigos comendo em um pratinho e tomando um copo de chocolate quente daqueles que estávamos distribuindo. Estranhamos, pois ainda não havíamos passado por ali. Então, perguntamos a eles se algum voluntário, responsável por outra região, teria lhes dado o lanche. Eles responderam que não. O que aconteceu foi que um deles estava dormindo na Praça XV quando fora acordado pelo grupo que havia ficado responsável por aquela região. O homem, então,  logo lembrou-se do amigo que estava na Praça da Matriz sem ter o que comer. Pegou o pratinho e o copo de chocolate quente, foi até onde se encontrava o companheiro de fome e dividiu com ele sua singela ceia de Natal.

A solidariedade do mendigo para com seu amigo e companheiro de infortúnio tocou uma notinha diferente, mais delicada, dentro mim. Mas também não pude deixar de constatar quão curiosa é a natureza humana. Enquanto seres da mesma espécie, tendo muito, sofrem tanto para doar um pouco, outros são capazes de dividir um mínimo, mesmo na mais completa penúria. E o mais curioso é que estes últimos precisam dividir o seu pouco porque os primeiros não abrem mão de acumular o seu muito. Ainda acho que a solidariedade está entre os mais belos sentimentos de que é capaz um ser humano, mas acredito, também, que o mundo, e os Natais em consequência, seriam bem melhores se não precisássemos ser solidários. A necessidade desse sentimento mostra as deficiências de nossa sociedade tão “boazinha”. Por isso, creio que jamais voltarei a enxergar as festas de fim de ano como enxergava em outros tempos, pois, embora ainda haja pessoas solidárias nos Natais, infelizmente, sempre haverá outras que não têm um mínimo de sentimento fraterno durante todo ano.

Texto originalmente publicado no Scribe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Deuses, Heróis e Monstros: belíssima adaptação de histórias mitológicas - Editora L&PM

Deuses, Heróis e Monstros: belíssima adaptação de histórias mitológicas - Editora L&PM
Deuses, Heróis e Monstros, de A. S. Franchini e Carmen Seganfredo, é um livro infantojuvenil que traz dez historias da mitologia adaptadas para que possam ser compreendidas pelo público mais jovem. Comprei o livro pensando no meu sobrinho, que tem 11 anos e, como geralmente acontece com os meninos, adora histórias de deuses mitológicos e monstros. Claro que não resisti e li a obra. Que grata surpresa! O livro é excelente, muitíssimo bem escrito e todo ilustrado. Embora as ilustrações não sejam coloridas, são muito bem feitas e causam ótima impressão. 

O que mais me chamou a atenção foi o fato de que o livro pode ser muito interessante, também, para o público adulto, pois embora tenha sido escrito de uma forma acessível aos leitores infantojuvenis, a linguagem utilizada não tem nada de infantilizada. Recomendo a leitura aos jovens, mas também aos adultos, especialmente os que não conhecem muito sobre mitologia, mas pretendem se iniciar neste tipo de leitura. 

A escolha das dez histórias mitológicas que compõem a obra foi perfeita. A primeira conta o nascimento da deusa Vênus, a mais bela de todas. Na sequência, podemos conhecer um pouco mais sobre Eco e Narciso, e sobre o rei Midas, cujo toque transforma tudo em ouro. Há, ainda, a história da caixa de Pandora, de Perseu e a cabeça da Medusa, Teseu e o Minotauro, entre outras. Todas fantásticas! Mas a minha preferida, dentre todas, é Cupido e Psiquê, uma linda história de amor e superação, cheia de significados simbólicos, capaz de tocar profundamente o coração de todos que amam ou já amaram, e que sabem que, muitas vezes, o amor nos faz ir ao Inferno e voltar.

Deuses, Heróis e Monstros: belíssima adaptação de histórias mitológicas - Editora L&PM

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Antologia poética, de Mario Quintana - Editora Nova Fronteira

A coleção  Saraiva de Bolso é uma parceria da Livraria Saraiva e da Editora Nova Fronteira e é um projeto do qual gosto muito, pois a coleção é composta por obras de altíssimo nível ofertadas a um preço bastante acessível. Embora trate-se de publicações populares, as edições apresentam uma qualidade muito boa. Eu, particularmente, sou fã dessas iniciativas que, em um país onde os livros são tão caros, aproximam obras e leitores, facilitando a aquisição de exemplares. E as capas dos livros são maravilhosas em sua simplicidade, trazendo sempre uma caricatura do autor. Adoro!

Gostei muito de ter encontrado, entre os títulos desta coleção, a Antologia Poética, de Mario Quintana. Quem me conhece sabe que este é um dos meus poetas favoritos. Inclusive, já havia escrito sobre ele aqui. Gosto muito desta antologia do Quintana porque, embora não seja um livro muito extenso, nele estão presentes muitos dos melhores poemas do autor. Nenhum dos poemas que compõem o livro foram novidade para mim, pois já havia lido todos, mas ainda assim, foi muito gratificante reler estas pérolas, das quais gosto tanto. Recomendo o livro para todas as almas sensíveis e de bom gosto. Abaixo deixo uma prévia do que encontramos n obra.

Da Vez Primeira...

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!”

Vídeo que fala sobre o processo de criação das capas.

domingo, 13 de dezembro de 2015

TAG sobre hábitos de leitura


Não tenho o hábito de responder a TAGs, mas vi essa no blog Pieces of Alana Gabriela e gostei bastante, por tratar da questão de hábitos de leitura, então resolvi responder. Vamos às perguntas?


1 – Quando você lê (manhã, tarde, noite, o dia inteiro ou quando tem tempo)?
Leio sempre que tenho tempo, em qualquer horário, mas tenho preferência pelas leituras feitas de madrugada, pois o silêncio favorece bastante. Também gosto de acordar pela manhã, aos domingos ou feriados, e ficar lendo por algum tempo, antes de levantar.

2 – Você lê apenas um livro de cada vez?
Não, sou do tipo que lê dois ou três livros ao mesmo tempo. Claro que sempre tem um que desperta mais interesse e acabo lendo mais rápido.

3 – Qual seu lugar favorito para ler?

Leio em qualquer lugar, até na fila do banco, afinal, com a nossa vida tão corrida, precisamos otimizar o nosso tempo. Mas o meu lugar preferido é na minha poltrona, no meu quarto. Posso ficar lendo por horas nesse meu lugar “sagrado”.

4 – O que você faz primeiro: lê o livro ou assiste ao filme?
Tanto faz. Não sou do tipo que se incomode com as adaptações, pois acho que cinema e literatura são linguagens muito diferentes e devem ser apreciadas de forma diferente, cada uma de acordo com as suas particularidades. Também não acho que o filme deva ser exatamente igual ao livro, afinal, o filme representa a leitura que o diretor fez da obra, e a leitura dele pode ser diferente da minha. 

5 – Qual o formato de livro você prefere (áudio-livro, e-book ou livro físico)?
Claro que prefiro os livros físicos, mas vivemos em um tempo em que (inclusive por motivos financeiros) precisamos nos adaptar e ler também os livros virtuais. Apenas procuro tomar cuidado em relação aos direitos autorais. Acredito que os autores devem receber pelo seu trabalho. Então, só baixo livros em domínio público ou autorizados pelo autor. Também temos a opção de compra de e-books por um preço bem mais em conta do que os livros físicos.

6 – Você tem algum hábito exclusivo ao ler?
Gosto muito de ler ouvindo música e, por incrível que pareça, concentro-me bem mais assim. Também gosto de tomar um café ou um chá enquanto leio. 

7 – As capas de uma série tem que combinar ou não importa?
Claro que eu aprecio capas bonitas, mas não acho que isso seja o essencial. O que mais importa é a obra em si. Portanto, se as capas de uma série não combinarem, mas o conteúdo for de qualidade, para mim está ótimo

Esses são os meus hábitos de leitura, espero que gostem!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Quatro Negros, de Luís Augusto Fischer - Editora L&PM

Quatro Negros, de Luís Augusto Fischer - Editora L&PMA obra Quatro Negros, de Luís Augusto Fischer, traz-nos um narrador que se apresenta ao leitor como um escritor renomado. Sua tarefa é contar a história de uma menina negra chamada Janéti (Sim, a grafia é essa, com acento e a letra "i" no final). A linguagem utilizada pelo narrador se dá em um tom informal, como se fosse uma conversa entre ele e o narratário. Durante o transcorrer da narrativa, a  história da garota, que é a principal, vai se cruzando com a de outros três negros, tão pobres quanto Janéti. E é essa pobreza e a falta de perspectivas quanto ao futuro que dá o tom da narrativa. 

Janéti pertence a uma família cujos pais sempre doam os filhos, mantendo consigo apenas o mais novo. Isso é feito com toda a naturalidade do mundo. Mas a menina mostra-se, desde muito pequena, uma inconformada, sempre voltando para casa, até que os pais desistem de doá-la. Conforme vai crescendo, ela vai buscando manter contato com os irmãos doados. Quando os pais decidem mudar do interior do Rio Grande do Sul para Porto Alegre, em busca de uma vida com mais oportunidades, Janéti os surpreende reunindo todos os irmãos na rodoviária para que possam recomeçar todos juntos. Os pais acabam por aceitar e mudam-se todos para a capital.

Essa não é uma história sobre a qual se possa falar muito sem correr o risco de praticar spoiler, mas o que posso dizer é que tornei-me fã de Janéti e de sua determinação em não se sujeitar ao destino que lhe é imposto. O livro Quatro Negros é fininho, de leitura rápida, mas muito rico em significado, trazendo um reflexão profunda sobre a miséria e as desigualdades sociais. Isso é feito de forma leve e agradável, como uma conversa despretensiosa. O narrador brinca com as diversas possibilidades narrativas, desacomodando, por vezes, o leitor. É um livro para se ler em um dia e se pensar durante vários outros.

Quatro Negros, de Luís Augusto Fischer - Editora L&PM

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Crime e Castigo, de Dostoiévski: uma história de regeneração - Editora Martin Claret

Crime e Castigo, de Dostoiévski: uma história de regeneração - Editora Martin Claret
A obra Crime e castigo, de Dostoievski, tem como protagonista um jovem estudante de direito que muda para uma cidade grande a fim de frequentar a universidade. Não possui recursos financeiros e vive em uma pensão decadente recebendo ajuda da mãe e da irmã. Ródion Românovitch Raskolnikof havia parado com seus estudos por razões financeiras e já não tinha meios de pagar a pensão onde morava. Um dia, ouvindo uma conversa entre dois cavalheiros, na qual um deles dizia que a velha usurária Alena deveria ser assassinada, pois era uma pessoa desprezível e tratava muito mal a irmã Isabel, Ródion concebeu o seu plano. 

Após algum tempo de isolamento e premeditação, Raskolnikof assassinou Alena com machadadas na cabeça, e como Isabel chegasse quando ele ainda estava no local do crime, matou-a também. Roubou alguns objetos e dinheiro da velha, porém não deu importância alguma a isso, escondendo o produto do seu roubo embaixo de uma pedra. Após o crime, ele adoeceu e foi cuidado por seu amigo Razumikine e o médico Zózimof. Ao receber uma intimação, Raskolnikof foi, mesmo doente, ao comissariado para ver do que se tratava e, lá chegando, constatou que a dona da pensão onde morava estava reclamando os aluguéis atrasados. Durante a sua estada no comissariado, ouviu comentarem sobre a morte da velha e sua irmã e, não aguentando, passou mal e desmaiou. Tal atitude fez com que começassem a desconfiar dele.

Certa vez, após voltar ao local do crime e levantar suspeitas nas pessoas que estavam presentes, resolveu ir ao comissariado, porém foi desviado de seu destino ao encontrar Marmêladof, o seu amigo alcoólatra, atropelado na rua. Como ninguém mais o conhecesse, levou-o para casa e disse a Catarina, sua esposa, que chamasse um médico, pois ele estava disposto a pagar tudo. Marmêladof acabou por morrer e isto fez com que as relações entre Raskolnikof e a família do morto se estreitassem, pois o jovem ofereceu-se para pagar as despesas do funeral e, para isso, deu a Catarina todo o dinheiro que ganhara de sua mãe. 


Raskolnikof resolve contar sobre o crime a Sônia, filha de Marmêladof, porém, não imagina que Svidrigailof, homem casado que pretende seduzir a sua irmã, está escutando atrás da porta. Sônia desespera-se e pede a ele que se entregue. Na casa de Sônia, Svidrigailof demonstra a Raskolnikof que sabe de toda da verdade. Ródion procura Svidrigailof, que tenta esconder-se, mas não consegue. Conversam longamente e Raskolnikof percebe que o outro tenta livrar-se dele, e então o segue. Mas Svidrigailof consegue enganá-lo e fica sozinho para procurar Dúnia, irmã de
Raskolnikof. Os dois encontram-se na rua, mas Svidrigailof convence a moça a ir até o seu quarto. Lá chegando, ele conta sobre o crime de seu irmão e tenta possuí-la com chantagem, mas ela resiste e ele acaba por desistir, suicidando-se horas depois, mas não sem antes resolver o problema dos órfãos de Marmêladof e dar uma boa quantia em dinheiro para Sônia.

Por se tratar de uma obra da literatura russa, o mais difícil é não se confundir com tantos nomes diferentes dos personagens e, como se isso não bastasse, cada personagem tem vários nomes. Fora isso, o livro é fantástico no sentido de mostrar um raio-X da alma humana. Os personagens são extremamente complexos do ponto de vista psicológico e, mesmo o mais cruel ou degenerado, em algum momento mostra algo de bom, como Raskolnikof, que mata uma velha a machadadas, mas doa todo o seu dinheiro à viúva de Marmêladof para que ela faça o funerak do marido; ou como Svidrigailof, que tenta abusar de Dúnia, chantageando-a, mas antes de morrer ajuda financeiramente os órfãos. Por se tratar de uma obra realista, não podemos esperar finais extremamente felizes, ainda assim, o final da obra traz uma mudança que acontece de modo sutil em Raskolnikof, que pode ser interpretada como uma forma realista de regeneração. A obra é belíssima, está entre as minhas melhores leituras. Recomendo 
Crime e castigo para quem gosta de narrativas com forte teor psicológico.


Crime e Castigo, de Dostoiévski: uma história de regeneração - Editora Martin Claret


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