Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara

Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara
Fabián e o caos
Autor: Pedro Juan Gutiérrez
Editora Alfaguara
Ano: 2016
Número de páginas: 195
Livro recebido em parceria com a editora

Fabián e Pedro Juan, dois rapazes com temperamentos completamente distintos, unidos por uma amizade mais que improvável, tentam sobreviver à ditadura comunista de Cuba, a ditadura do proletariado, cada um à sua maneira. Fabián e o caos, do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, é mais uma preciosidade da Editora Alfaguara. Dividido em cinco capítulos que intercalam o foco narrativo entre os dois protagonistas, o livro traz uma crítica ao regime de Fidel Castro, denunciando alguns abusos ocorridos no período. O personagem que dá nome ao livro, Fabián, foi inspirado em um amigo de juventude do autor, chamado Fábio Hernandez, que assim como o personagem do livro, era pianista exímio, e sonhava em compor uma sinfonia própria. O outro protagonista, homônimo do escritor, tem um toque de autobiográfico, não só no nome, mas em algumas características, uma espécie de alter ego, que inclusive já apareceu em outros livros de Pedro Juan Gutiérrez. 

Fabián e o caos é uma obra que nos mostra um mundo de contradições e antagonismos.  O jovem Fabian, que já possuía intimidade com o piano desde a barriga de sua mãe, sonha em tornar-se um grande concertista, o que, certamente, compensaria-o por viver de forma tão solitária, quase invisível, por não possuir atrativos físicos e viver escondido atrás de um par de óculos de grossas lentes, por sua imensa solidão. Delicado, sensível e efeminado, Fabián recebe desprezo do próprio pai, que o acha um inútil. Incapaz de mascarar a sua homossexualidade, passa a ser perseguido pelo governo cubano, que não tolera nenhum tipo de "desvio ideológico", e isso significa não tolerar, entre outras coisas, os "veados". Fabián tem alguns relacionamentos homoafetivos, mas o seu caminho é solitário, sobretudo depois de ter sido impedido pelo governo de continuar exercendo o ofício de pianista.

Pedro Juan é completamente o oposto de Fabián. É o protótipo do macho alfa, transbordando testosterona. É um rebelde, que não se ajusta ao sistema, gosta de passar os dias  andando de bicicleta, envolve-se com todo tipo de mulher, não importando a idade ou o tipo físico. É um adepto convicto da vagabundagem, o que também é considerado um "desvio ideológico" pelo governo cubano. Pedro Juan não tolera nada que o limite. Seus inimigos? A família, o governo e a religião. Seu maior desejo? Quebrar todas as regras. Fabián e Pedro Juan se conheceram, quando meninos, na escola. Não se tornaram amigos na época, e acabaram perdendo contato. Ao serem enviados para trabalhar em uma fábrica na qual trabalham os párias da sociedade, seus caminhos se cruzam novamente, e é então que nasce a amizade improvável entre os dois. É então que acontece o ponto alto da narrativa. 

Fabián e o caos possui uma escrita dinâmica e envolvente, que nos prende à leitura da obra, do início ao fim. Os capítulos cujo foco narrativo encontra-se em Fabián são narrados em terceira pessoa, passando-nos uma ideia de distanciamento, enquanto os capítulos que possuem o foco em Pedro Juan são narrados em primeira pessoa, conferindo um maior movimento à narativa. O personagem quem mais mexeu com meus sentimentos foi Fabián, despertando ora a minha piedade, ora a minha indignação. Essa obra foi, sem nenhuma dúvida, uma das minhas melhores leituras nos últimos meses. Recomendo!


Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara


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