O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara

O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara
O rei de Havana
Editora Alfaguara
Ano: 2017
Número de páginas: 184
Cortesia da Editora

Pedro Juan Gutiérrez é, sem nenhuma dúvida, um dos autores mais intensos e contundentes que já tive a oportunidade de ler. Em O rei de Havana, publicado no Brasil pela Editora Alfaguara, Gutiérrez nos envolve e até mesmo choca com sua linguagem crua, direta e sem nenhuma "maquiagem". A verdade é que isso não chegou a me surpreender, pois já tive contato com a escrita do autor em Fabián e o caos. De toda forma, verdade e força narrativa são coisas que sempre me deixam encantada, e isso há de sobra aqui.

A história nos apresenta Reinaldo, ou Rei, um garoto cuja vida miserável, marcada por uma tragédia familiar, leva-o a ter que sobreviver, completamente sozinho, em mundo hostil. Após fugir de um reformatório, Rei passa a perambular pelas ruas de Havana, relacionando-se com pessoas tão sujas e tão miseráveis quanto ele, que vão desde prostitutas, que topam qualquer parada, até velhas (velhas mesmo) que fazem qualquer coisa para relacionar-se com um garoto. E é nesse meio improvável, regado a muito rum, muita sujeira e muito sexo, que Rei encontra, a sua maneira, um amor autodestrutivo.

Embora o narrador seja em terceira pessoa, o foco narrativo se mantém em Rei, fazendo com que haja bastante envolvimento da parte do leitor em relação ao protagonista. Rei é um personagem que nos toca profundamente em seu desamparo. Por vezes sentimos o peito apertar. A narrativa é acre e visceral, os personagens mostram-se apáticos diante de sua crescente degradação. O rei de Havana é uma obra para quem busca uma leitura profunda, um mergulho na essência do humano.

O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara

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